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Guinga dá sopro de novidade e beleza à própria obra em segundo álbum com o clarinetista italiano Gabriele Mirabassi

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Guinga vem construindo obra tão sólida e requintada desde a década de 1970 que o cancioneiro do compositor e violonista carioca resiste a sucessivas releituras feitas pelo próprio Guinga ou por outros intérpretes sem perder o frescor.

Guinga invites Gabriele Mirabassi – Passos e assovio, álbum lançado pela gravadora alemã Acoustic Music Records com distribuição em CD feita via Rough Trade, consegue dar sopro de novidade a um repertório que apresenta somente duas músicas inéditas em 12 faixas, com a ressalva de que a valsa que abre e batiza o disco, Passos e assovio(Guinga e Paulo César Pinheiro, 1979), nunca tinha sido até então registrada na discografia de Guinga.

O sopro de novidade vem do toque preciso do clarinete do músico italiano Gabriele Mirabassi. Nem mesmo o encontro em disco do duo é inédito. Há 14 anos, o universo pop ouviu Graffiando vento (2004), álbum gravado em capela da cidade de Perugia, na Itália, a convite de Mirabassi.

Em Passos e assovio, o convite é retribuído por Guinga, como já explicitado no título bilíngue do álbum, de resultado tão belo quanto o do disco de 2004. A beleza vem da afinação entre dois músicos que se harmonizam na abordagem de temas antigos ou recentes como Avenida Atlântica (Guinga e Thiago Amud, 2017).

Não há notas jogadas fora, mesmo quando os toques do clarinete de Mirabassi e do violão de Guinga se agitam para reapresentar o choro Cheio de dedos (Guinga, 1996) e o baião Nítido e obscuro (Guinga e Aldir Blanc, 1993).

Ao contrário. As três valsas alocadas no início do disco – a já mencionada Passos e assovioOdalisca (Guinga e Aldir Blanc, 1991) e Igreja da Penha (Guinga, 1994) – ganham registros precisos, econômicos, impregnados de lirismo e melancolia, traços também detectados na releitura de Noturna (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1987) e que se afinam com o clima de modinha desta composição lançada em disco pela cantora Alaíde Costa.

Em Igreja da Penha, Mirabassi faz sutis improvisos, mas a cama jazzística somente é armada, de fato, em Ellingtoniana (Guinga, 2014) – e com toda propriedade, pois o samba-canção celebra o legado do compositor e pianista Duke Ellington (1899 – 1974), um dos pilares do jazz.

Improvisos à parte, o lirismo pauta o disco, inclusive quando Guinga e Mirabassi tocam temas já originalmente instrumentais, caso de Tom e Vinicius (Guinga, 2017). A propósito, onze das doze músicas do álbum Passos e assovio são ouvidas sem as letras escritas por Aldir Blanc e Paulo César Pinheiro para cinco composições do repertório.

Com exceção do Bolero de satã (Guinga e Aldir Blanc, 1976), tema que perde intensidade e intenções sem os versos de Blanc, as demais fluem muito bem sem as letras. Porque, a rigor, a música de Guinga pode prescindir de letras e do canto, ainda que a única faixa cantada, a inédita Tangará (Guinga, 2018), reitere a beleza que pode haver, e quase sempre há, na voz de Guinga.

No fecho do disco, o também inédito acalanto Meio baloeiro (Guinga e Anna Paes, 2018) comprova a imensa beleza melódica que faz de Guinga um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos por conta de obra alicerçada com tantas camadas harmônicas que consegue ganhar sempre um sopro de novidade em sucessivas abordagens como a feita por Guinga com o virtuoso clarinetista italiano Gabriele Mirabassi.

FONTE: G1

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